29/06/2026
Apenas nos Estados Unidos, até US$ 143 bilhões em receita de clientes podem estar em risco por causa da adoção ineficaz da inteligência artificial em áreas como direito, impostos, auditoria e gestão de riscos. O número integra o relatório Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters, elaborado a partir de uma pesquisa global com 1.800 profissionais.
O estudo aponta uma distância crescente entre a ambição das empresas com a IA e o uso prático da tecnologia no dia a dia — diferença que, segundo o levantamento, já produz efeitos concretos, como riscos financeiros e maior disposição dos talentos para deixar o emprego.
“Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro. Fechar essa lacuna de execução agora é um imperativo de negócio para escritórios profissionais”, afirma Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters.
O problema não está na adoção: 74% dos profissionais já usam ferramentas de IA semanalmente, mas as organizações têm dificuldade de converter esse uso em valor real. Na prática, 91% acreditam que suas empresas ainda não exploram todo o potencial da tecnologia, o que abre espaço para efeitos não planejados — como um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance recorrendo a ferramentas não autorizadas, gerando um risco invisível e sem gestão.
Mesmo onde há estratégia de IA, a execução avança devagar: 35% afirmam que as ambições não se traduzem no cotidiano e cerca de um em cada cinco diz que a organização ainda não tem uma estratégia clara. Esse descompasso entre promessa e realidade já afeta a retenção de talentos, com um em cada quatro profissionais admitindo que pensaria em deixar o emprego atual em até dois anos caso não enxergasse o valor esperado.
Os clientes seguem na mesma direção: 78% consideram essenciais as melhorias de qualidade impulsionadas por IA, mas só 6% acreditam que a maioria dos fornecedores realmente entrega isso. Como consequência, quase um terço pretende rever essas relações nos próximos 12 meses.
Para a Thomson Reuters, essas pressões crescem mais rápido do que muitos líderes percebem e se concentram em três frentes interligadas: o uso de IA não validada, a saída de talentos e a cobrança dos clientes.
Um terço dos profissionais utiliza IA não aprovada pela organização, índice que sobe para 41% entre os que avaliam que suas empresas avançam muito lentamente no tema. Ao mesmo tempo, 96% afirmam que a IA precisa proteger dados confidenciais, 94% exigem conteúdo confiável e verificado e 90% querem resultados que possam ser explicados e defendidos. Ainda assim, 41% não têm acesso a ferramentas profissionais capazes de atender a esses requisitos.
Um em cada quatro profissionais (24%) que percebem uma lacuna entre o potencial da IA e o que a empresa entrega cogita sair em até dois anos, e 13% fariam isso em até 12 meses. Mesmo assim, quase metade dos líderes seniores acredita que a pressão relevante sobre talentos só chegará dentro de pelo menos três anos. O acesso a IA de nível profissional pesa nessa conta: 62% dizem que ele influenciaria a decisão de aceitar um novo emprego e, entre quem já usa essas ferramentas, quase um em cada três recusaria uma vaga sem esse recurso.
Entre os clientes corporativos, 78% consideram muito importante ou essencial a melhoria de qualidade baseada em IA, mas apenas 6% afirmam que seus fornecedores estão entregando isso. Nos próximos 12 meses, 32% pretendem reavaliar seus fornecedores, e um terço deles coloca mais de US$ 1 milhão em trabalho anual em risco — o que soma cerca de US$ 143 bilhões em receitas dos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos sob reavaliação.
“Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto”, disse Hasker. “Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente. Por isso desenvolvemos o que chamamos de IA de nível fiduciário, uma tecnologia que os profissionais podem verificar, confiar e sustentar.”
Fonte: Com informações de Contábeis